Depois

Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também

Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também

Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também

Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois

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Oque dizer?

Devo chamar de texto poético o que aqui exponho? 

Nada sei da métrica e menos ainda da estética devida – escrevo apenas.

Se não sei se sei, por que a audácia? Dar a cara à tapa!  Suponho que deve ser pelo desejo de estímulos (positivos ou não) que mexam com minha imobilidade.

Há também uma conclamação aos que, por ventura, se encontrem nas entrelinhas aqui mal postas. Ainda assim, sinto-me poeta.

Poeta sem poesia (uma mulher nu) e sem a necessidade de escrevê-las, sequer recitá-las, porque assim me distanciaria ainda mais mim – nunca me olhei no espelho e achei que estava olhando a minha verdadeira face.

Sim, estou  distante e intensamente focada em tudo.

Uma lonjura desenhada na parede. “O estrangeiro” de Camus. O sol quadrado dos detentos. Pode ser que se perceba algo, com algum esforço, é claro.

Sou poeta por não saber exprimir com precisão. 

Sou poeta que transborda na intensidade das coisas mínimas.

Mérito algum nisso.

 
 

Suspirar o que Anseio…

Gritar o que desejo…

Deixar que me leiam e possam perceber o que nunca consegui falar…

(day after day)